
Acender e apagar uma luz sem tocar em nada, sem assistente de voz e sem aplicativo no celular: só com um gesto para a câmera. Foi esse o desafio da prova de conceito (POC) que a i92.tech montou em outubro de 2026, juntando duas áreas em que trabalhamos, visão computacional e IoT.
O que tem na bancada
A montagem usa peças comuns, fáceis de encontrar:
- uma câmera IP comum, que envia o vídeo pela rede (RTSP);
- um Raspberry Pi Zero 2W, um computador pequeno, de placa única, com 512 MB de memória;
- um relé Wi-Fi comum, da plataforma Tuya/Smart Life, ligado a um abajur.
O Pi lê o vídeo da câmera e só envia imagens ao servidor da i92.tech quando percebe movimento. Assim, nada é processado à toa enquanto a sala está parada.
Como a IA entende o gesto
No servidor, a IA (MediaPipe, do Google) encontra os 21 pontos da mão em cada imagem: as pontas e as articulações dos dedos e o pulso. A partir desses pontos, regras escritas pela i92.tech medem os ângulos das articulações e decidem se a mão está aberta ou fechada.
- Mão aberta, mantida por cerca de 1 segundo: a luz acende.
- Punho fechado: a luz apaga.
- Entre uma ação e outra há uma pausa de 3 segundos e, se a luz já está como foi pedido, nada acontece.
Segurar o gesto por um instante é proposital. Sem isso, qualquer mão que passasse na frente da câmera poderia acender ou apagar a luz sem querer.
Da câmera à luz, sem passar pela nuvem do fabricante
Quando o gesto é reconhecido, o Pi aciona o relé direto pela rede local, sem passar pela nuvem do fabricante. O sistema roda o tempo todo como serviço: se o relé fica sem energia ou sai do Wi-Fi, ele percebe e volta a funcionar sozinho quando o relé retorna.
Privacidade: nenhuma imagem é gravada
Câmera ligada o tempo todo levanta uma pergunta justa: o que acontece com as imagens? Nesta POC, a resposta é simples.
- Cada quadro é analisado na memória e descartado na hora.
- Fica só um registro em texto: data e hora, gesto, ação, resultado e tempos de resposta.
- Não há reconhecimento facial nem identificação de pessoas: a IA só procura a mão e o gesto.
- A comunicação com o servidor é criptografada (HTTPS) e só aceita o dispositivo autorizado.
O que medimos
No teste de 23 de outubro de 2026, os números medidos pela i92.tech foram estes:
- 13 de 13 gestos executados corretamente, sem nenhum acionamento indevido;
- cerca de 13 milissegundos para a IA analisar a mão em cada imagem, no servidor;
- de 154 a 226 milissegundos do momento em que a imagem chega ao Pi até a luz mudar;
- de 86 a 164 milissegundos para o relé responder.
Para quem faz o gesto, a luz responde cerca de 1 segundo depois de começar o movimento, porque é preciso segurar a mão por uns 0,8 segundo. Esse tempo é a trava contra acionamentos acidentais, não lentidão do sistema.
Por que isso interessa a uma empresa
Trocar a luz do abajur por uma máquina, uma esteira ou uma porta muda a escala, mas a ideia é a mesma: a câmera vê, a IA entende e um dispositivo IoT age. É útil onde tocar em botões é difícil ou pouco higiênico, como em mãos sujas de óleo, luvas ou ambientes de alimentos.
Os próximos passos da POC, ainda sem data, são reconhecer o gesto mais longe da câmera, funcionar sem internet, com o processamento no próprio local, e incluir mais gestos e outros aparelhos, como tomadas, persianas e máquinas.
A ideia foi inspirada no experimento "Luz por gestos", de Marcos Kaiky, que acende luzes virtuais com gestos usando o MediaPipe. A i92.tech partiu da mesma ideia e da mesma tecnologia de base, mas escreveu o próprio código e levou o controle para uma luz real, com IoT.
Fontes e links
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